2026-07-28

Encontrar propósito em tempos de desespero

A Falta de Sentido na Vida, clássico de psicoteparia de Viktor E. Frankl, reflete sobre a frustração existencial

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«Cada época tem a sua neurose – e cada época necessita da sua própria psicoterapia. […] O doente típico dos dias de hoje já não sofre tanto, como no tempo de Alfred Adler, de um sentimento de inferioridade, mas sim de um sentimento profundo de falta de sentido, que se associa a um sentimento de vazio.»

 

Sobrevivente do holocausto – que roubou a vida a toda a família à exceção de uma irmã–, o neuropsiquiatra Viktor Emil Frankl apresentou ao mundo, em 1977, no livro A Falta de Sentido na Vida, algumas das bases da disciplina de análise existencial e humanista que viria a ser conhecida como Logoterapia.

 

Marcado pela busca de sentido, que o fez suportar os horrores do Terceiro Reich, Frankl já tinha ensaiado algumas das considerações deste livro em 1946, em O Homem em Busca de Um Sentido, livro que relata a experiência de sobrevivência e superação do holocausto. Mas é neste segundo livro que apresenta um olhar clínico sobre o tema do qual fez bandeira de vida e que o tornou um dos psicanalistas de maior renome do Séc. XX.

 

Meio século depois, A Falta de Sentido na Vida, que introduz conceitos como a «reumanização da psicoterapia», está tão, ou mais atual do que na década de 1970, afinal estamos, mais do que nunca, mergulhados no que o autor intitulou de «vácuo existencial». A depressão é uma das epidemias mais devastadoras e, apesar da variedade de medicações e terapias ao nosso alcance, poucas parecem oferecer resultados totalmente eficazes.

 

Razões de sobra para que a Pergaminho recupere este clássico da história das ideias, numa novíssima edição com tradução de Álvaro Gonçalves.