2026-04-01

O segredo não é stressar menos, é stressar melhor

No livro desRegulados, a comunicadora para a ciência, doutorada em ciências biomédicas, Beatriz Subtil, fala-nos da inevitabilidade genética do stresse e de como podemos regulá-lo.

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O que fazer ao stresse se já não temos ursos de quem fugir? É talvez um dos maiores desafios do século e, permitam-nos a analogia geek, explica-se por uma incompatibilidade de hardware e software. Equipados para lutar ou fugir de predadores, já não temos de lidar com eles no meio natural e o corpo, que não sabe distinguir um e-mail agressivo de um urso, produz cortisol e adrenalina sem necessidade. O resultado são respostas desproporcionais que nos desgastam física e mentalmente e que, a longo prazo, podem dar origem a doença.

 

No livro desRegulados, que agora se anuncia, Beatriz Subtil, especialista em ciências biomédicas, diz-nos que este software desatualizado é uma inevitabilidade e fala de um paradoxo do mundo moderno: «estamos demasiado confortáveis para sermos saudáveis». Acrescenta que não podemos reconfigurar o sistema nervoso e que, ao contrário do que alguns milagreiros têm anunciado, não há como abolir o stresse ou stressar menos. Podemos sim, stressar melhor. Como? Regulando o sistema nervoso com base na ciência e aceitando a nossa condição biológica: não fomos feitos para ser felizes, mas para sobrevivermos. «Defendo que o desconforto que tantas vezes evitamos é, na realidade, o precursor de um prazer mais equilibrado, duradouro e consciente; um prazer que não nos satura nem desregula.»

 

Em contraciclo com o estilo de vida marcado por maior previsibilidade e segurança, aliado a um excesso de estímulos artificias e conforto, Beatriz Subtil defende que «o desconforto é, na realidade, o precursor de um prazer mais equilibrado, duradouro e consciente; um prazer que não nos satura nem desregula». E não é suposto correr riscos ou viver no limite para que isso aconteça, basta, por exemplo, praticar atividade física regular, respeitando as três fases do ciclo do stresse: ativação, resposta, conclusão. «Evitar o perigo, sim; evitar o desconforto, não.»